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Dependências Tecnologicas

Dependências Tecnológicas

Vivemos em um século de muitos privilégios. No campo da tecnologia, especialmente, observamos a constante evolução dos artefatos eletrônicos e como eles facilitam o nosso cotidiano: ler as notícias em tempo real, conversar com alguém que esteja do outro lado do mundo, pesquisar um assunto para um trabalho acadêmico etc. Estes pontos pertencem a um universo, em particular, que possui uma notável expansão nos últimos anos: a Internet, que surgiu como World Wide Web em 1994.

Outro modelo tecnológico, muito comum contemporaneamente, é o campo dos jogos eletrônicos. Desde os trabalhos iniciais de Alan Turing em 1950, sobre a Inteligência Artificial, até os jogos que são praticados atualmente por crianças, adolescentes e adultos, muitas evoluções ocorreram. Os gráficos estão cada vez mais realistas e a interação com o virtual é mais frequente. Não podemos também negar a importância desses games em vários aspectos: educação (aprendizagem), modelo terapêutico (no tratamento de diversas doenças) e o que é mais comentado pelos seus praticantes: a diversão. Jogar é brincar. Brincar constitui o ser humano. E isso é divertido.

Os dois primeiros parágrafos desta reflexão revelam o lado positivo desses modelos cibernéticos. Entretanto, o meu papel é comentar uma realidade ainda desconhecida por uma parte significativa da população e que a literatura científica, há alguns anos, vem revelando estudos importantes: o lado nocivo da prática tanto da Internet e/ou dos jogos eletrônicos. A seriedade que estes temas são estudados é tão expressiva que, atualmente, empregamos os termos dependência de jogos eletrônicos e dependência de Internet.

Mas será que isso não é um exagero dos pesquisadores? Um posicionamento incorreto dos profissionais da área da saúde? Uma “onda” que vai passar? A resposta é negativa. Através de inventários e estudos controlados já são relatados sintomas específicos para cada um dos possíveis transtornos psiquiátricos. Estudos de neuroimagem também mostram alterações estruturais e funcionais no cérebro de usuários dependentes de tecnologia. Indo mais além, já existem centros especializados, especialmente nos Estados Unidos e países da Europa e Ásia, no tratamento destes sujeitos. A mídia também vem informando à população sobre esta nuance por programas de televisão, jornais, Internet ou rádio.

Observa-se, em escala mundial, uma ocorrência de 3% de dependentes de jogos eletrônicos e 9% apresentando uso problemático (este último uma fase mais branda em relação à dependência). Sobre a dependência de Internet, os números são semelhantes. De fato, estamos diante de psicopatologias que ocorrem com impacto maior nos sujeitos do sexo masculino, especialmente adolescentes e adultos jovens. As causas para tais transtornos ainda não são claramente conhecidas, sugerindo-se um estudo multifatorial com estes usuários.

Mas por qual razão este tema é importante? Por vários motivos, além dos já mencionados. Um deles é a previsão de expansão desses transtornos mentais na população que utiliza tecnologia (só no Brasil 80 milhões de indivíduos possuem acesso direto à Internet). De forma mais específica, proponho algumas reflexões: será que os pais estão conhecendo os efeitos nocivos que estes modelos tecnológicos podem estar causando aos seus filhos? É discutido o uso de Internet ou de jogos eletrônicos no ambiente familiar? Há horários estabelecidos durante a semana e no final de semana no uso da tecnologia? O rendimento escolar já piorou devido ao uso excessivo de um desses modelos tecnológicos? Sabem-se quais conteúdos são acessados por estas crianças e adolescentes na Internet?

E como saber quais sintomas estão relacionados a uma possível dependência tecnológica? Young propõe alguns: preocupação persistente com a Internet; utilizar a Internet com frequência cada vez maior; tentativas de insucesso frequentes em controlar, diminuir ou parar o uso da Internet; o usuário sentir-se cansado, instável, deprimido ou irritado quando tenta parar o uso da Internet; ficar na Internet mais tempo do que planejado; comprometer relacionamentos importantes ou mesmo o emprego e estudos devido ao uso da Internet; mentir para terceiros sobre a quantidade de tempo que utiliza a Internet; uso da Internet como forma de escapismo de problemas cotidianos. Sintomas semelhantes são apresentados à dependência de jogos eletrônicos.

Por fim, não podemos criticar a importância da Internet ou dos jogos eletrônicos em nossa cultura – e esse jamais seria o meu objetivo. Discuto aqui uma parcela, já significativa, daqueles que podem adoecer ou já estão adoecidos. 

Saiba mais sobre os assuntos nos endereços abaixo: